Imprevistos desestabilizaram a equipe de Cruz Alta,
que foi derrotada pela ACA e pelo desgaste.
Uma verdadeira batalha, com direito a água, fogo e
até mesmo choques elétricos, marcou a despedida da ACAF no Campeonato Gaúcho
Série Prata. O otimismo e a preparação ao longo da semana foram transformados em
drama devido ao cansaço da longa viagem de quatro horas até Cachoeira do Sul e à
chuva que inundou a quadra do ginásio Derlizão, atrasando a partida em quase
duas horas e potencializando o desgaste dos atletas da equipe de Cruz Alta – que
superaram lesões e o cansaço da temporada. Mesmo com a entrega em quadra, mais
uma vez o sonho da Série Ouro foi adiado.
Fé na Santinha e caravana da torcida para Cachoeira
do Sul
Antes de partir para Cachoeira do Sul, a delegação
da ACAF visitou o monumento de Nossa Senhora de Fátima e fizeram uma oração para
a Santinha, como é carinhosamente conhecida a padroeira de Cruz Alta. Logo atrás
do ônibus da comissão técnica e dos jogadores, uma excursão com aproximadamente
50 torcedores também rumava à decisão. Os preparativos indicavam que tudo daria
certo para a equipe comandada pelo técnico Batata. Entretanto, a mudança no
clima em Cachoeira do Sul derrubou os planos da ACAF.
Já em quadra em trabalho de aquecimento, as equipes e
os quase mil espectadores presenciaram duas calhas do Derlizão cedendo à chuva,
o que inundou uma das laterais. Funcionários do ginásio e da ACA se mobilizaram
para conter a enxurrada com toalhas, papéis picados e até mesmo colocando álcool
e fogo no parquê. Após 50 minutos de mutirão em quadra, o problema da inundação
foi solucionado apenas com a trégua da chuva e a partida enfim
começava.
Ao chegar no Derlizão, o fisioterapeuta Davi Mesquita
aplicou, no próprio vestiário da ACAF, uma sessão de eletroterapia (tratamento a
base de descargas elétricas) no joelho esquerdo de Léo, para que o capitão
tivesse condições de atuar. Kiko Gardin também jogaria no sacrifício: o
experiente pivô viajou mesmo com dois dedos do pé esquerdo fraturados.
Marcelinho, artilheiro da Série Prata com 32 gols, cumpria suspensão automática
pelo terceiro cartão amarelo e era o desfalque da ACAF.
Logo aos dois minutos, Zezinho abriu o placar para a
ACAF e correu para o abraço da empolgada ACAFúria. Mais dois minutos e a partida
teve que ser novamente interrompida com a volta da chuva. Enquanto os atletas
seguiam aquecendo para manter o ritmo, o árbitro Carlos César Quaresma aguardou
mais 50 minutos para retomar a partida. As pausas acabaram desgastando os
atletas da ACAF que, além dos problemas de lesão, vinham de uma viagem de quatro
horas.
Na retomada da partida, Paulinho Cambalhota deixou
tudo igual no placar. Aos 12, Zezinho aproveitou um contra-ataque e deixou a
ACAF novamente na frente. Os minutos finais foram de pressão da ACA e de muita
entrega da equipe de Cruz Alta para manter a vantagem até o
intervalo.
O segundo tempo mal havia começado e a ACAF já
demonstrava sinais de cansaço. Nos quatro primeiros minutos, a ACA criou boas
chances com Lucas, Mamau e Lefor, que pararam no goleiro Murilo. Mas, aos cinco,
Dalvan arriscou de longe e a bola desviou em Ricardo Atkinson e em Ademir antes
de morrer no fundo da rede.
Com a igualdade no marcador, os dois times
proporcionaram um rally impressionante de oportunidades de gol, para delírio das
duas torcidas que travavam uma batalha de vozes na arquibancada. Até que aos 11,
Lefor desviou uma cobrança de falta e virou a partida para os donos da casa.
Dois minutos depois, Kiko Gardin finalizou entre as pernas de Weber e trouxe
novamente a vantagem para a ACAF, que jogava pelo empate. Mas, faltando cinco
minutos para o término do tempo normal, Dalvan recebeu na entrada da área e, de
gancho, marcou o quarto gol da ACA e levou a partida para a
prorrogação.
Prorrogação fulminante para a ACAF
O tempo extra abateu a equipe de Cruz Alta. Com menos
de dois minutos, Lefor já marcava dois gois para a ACA e diminuíam a esperança
da ACAF em se classificar para a final da competição. Ainda na primeira etapa da
prorrogação, Lucas fez o terceiro e sacramentou a eliminação da ACAF, que não
encontrou forças para reagir nos minutos finais. "As pausas nos mataram",
resumiu o pivô Ricardo Atkinson.
Mesmo com a derrota, a avaliação da direção é
positiva por dois motivos: a boa campanha da ACAF, que encerrou sua participação
como terceira colocada do Estadual Série Prata, e a revolução do cenário
esportivo municipal. A equipe de Cruz Alta fecha a temporada totalizando 12
vitórias, 6 empates e 8 derrotas. O atual goleador da competição é Marcelinho,
autor de 32 gols. A ACAF ainda possui o ataque mais positivo do Rio Grande do
Sul (considerando as Séries Ouro e Prata), somando 128 gols em 25 jogos, média
de 5,12 gols por partida.
O planejamento para 2013 deve iniciar nos próximos
dias. Os dirigentes devem agendar reuniões para tratar de investimentos,
renovações de atletas e ações para a temporada do ano que vem.